Bando O TeXTo PeRDeu-Se (e o bacalhau também)
tem como linha de pesquisa a ocupação de espaços não-convencionais de teatro, onde os atores desenvolvem um improviso feito sobre um roteiro de ação criado a partir de um texto base. Um ponto fundamental da pesquisa do Bando é a relação com o espectador: uma interação direta em que o grupo procura deixar o público à vontade para colocar as questões suscitadas pela encenação durante a própria apresentação. As montagens do Bando se dão a partir de processo colaborativo em que as funções dentro do grupo são alternadas, dando dinâmica de experimentação à produção do grupo.
Jonny Sofucker não passou nem vai passar pelo espaço cênico, ao invés disso ele deixa suas vítimas para serem comentadores de sua existência. Os protótipos humanos presentes no espaço demonstram relações frágeis e agressivas entre si, agridem-se mutua e gratuitamente enquanto esperam por notícias de Jonny. No meio dos anseios patéticos dos protótipos reunidos na cena, esboça-se uma confusa biografia de Jonny Sofucker, através de informações imprecisas e pouco confiáveis.
LOCAL DE APRESENTAÇÃO: banheiros públicos
Peça-Molotov. A chama do pavio arde, mas quem é o inimigo contra qual ele deve ser lançado? A pergunta espinhosa lateja nas cabeças bombardeadas pela necessidade de uma ação... ou não. O que acontece com o mundo? O que acontece com esse desejo de ir em frente e explodir as bases de uma sociedade morta? Uma geração recolhe pedra por pedra os escombros do Muro de Berlim. O que fazer com eles? Agir ou não agir, eis a questão.
Na universidade dos mortos paira o marasmo do pensamento enregelado. Uma mulher comum explode o próprio lar e foge de seu cativeiro. Numa sala de ensaio, atores ensaiam a revolta. A televisão noticia o que todos já esqueceram. Os intelectuais dão entrevistas e discursam sobre a revolução. Enquanto isso, máquinas fora de controle cometem crimes e um grito acorrentado ecoa do mar profundo.
LOCAL DE APRESENTAÇÃO: itinerante
A Última Manga do Mundo é uma experiência teatral divertida e indigesta. O que parece gostoso se desmancha e de repente se torna desagradável, mofando diante dos olhos do espectador. Em um tempo-espaço que confunde presente e passado, a suculência e a decadência se alternam num jogo de realidade distorcida que não apresenta nenhuma verossimilhança. O que te faz sentir vivo? Os atores encarnam figuras dilaceradas que parecem fazer um caminho sem volta ao fundo do poço, arranjando aqui e ali pequenas anestesias de felicidade artificial. O desejo de desejar ardentemente alguma coisa. A nostalgia de um tempo onde as frutas eram frescas, macias e suculentas. O câncer não é no corpo, é na alma.
LOCAL DE APRESENTAÇÃO: camarins de teatros